Comentário do Dia » 01.07.10
Rouba... mas faz
___ Arthur Chagas Diniz*
Me lembro, ainda muito jovem, quando um governador, Ademar de Barros, foi reeleito, apesar de uma justificada ou injustificada explicação de que, sim, roubava, mas realizava obras. Enfim, fazia. Anos depois, Paulo Maluf empolgava uma boa parcela do eleitorado, mesmo considerando-se que as obras que realizava eram sempre superfaturadas. Roubava, diziam, mas fazia. Os roubos não eram, assim se pensava, institucionais.
O governo Lulla inaugurou um novo estilo. Apoiado em uma explicação moralmente inaceitável, sugerida pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para o pagamento de deputados federais em troca de apoio legislativo a projetos do Planalto, Lulla sugeriu que os recursos que bancavam a corrupção eram oriundos do Caixa-2. Tudo o que a Receita Federal persegue nos contribuintes é exatamente esse malfadado Caixa-2.
Revelado por um dos principais intermediários o que se passou a chamar de Mensalão, a CPI levou ao indiciamento, pelo Procurador Geral da República, de um grupo de políticos e o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, como líder de uma quadrilha. Até hoje o STF não julgou ninguém e o ex ministro da Casa Civil comanda explicitamente a campanha à Presidência de Dilma Rousseff.
O modelo de recompensar a adesão de partidos variados aos decretos-lei do Governo passou a ser exercitado descentralizadamente através de ministérios e empresas públicas. É um modelo de “remuneração” variável que beneficia tanto senadores quanto deputados e força Lulla a redistribuir os cargos, dando mais ênfase ao PMDB no ministério.
Parece que o brasileiro continua a acreditar e a votar no modelo “rouba... mas faz.”
Fonte da imagem: Memória Viva
* Presidente do Instituto Liberal
01.07.2010
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