Comentário do Dia » 02.07.10
A escolha do Vice
___ Rodrigo Constantino*
O rolo compressor de José Serra encontrou um obstáculo de peso no caminho, impedindo uma chapa “pura” dos tucanos nas eleições. Álvaro Dias teve que ceder, e o deputado carioca Índio da Costa, dos Democratas, será o vice de Serra. A escolha do vice, naturalmente, parte de objetivos pragmáticos, como tempo de campanha na TV. Entretanto, não deixa de ser elucidativo comparar as escolhas dos três principais candidatos.
Até onde alcança a vista, não há muito que usar para atacar a imagem de Índio da Costa, a despeito de ter como padrinho político César Maia. Jovem, de família tradicional carioca com atuação no setor privado, o deputado foi o relator do projeto Ficha Limpa, que encontrou forte resistência do governo Lula por motivos óbvios. Já o vice escolhido por Marina Silva é um conhecido empresário, sócio de uma grande empresa respeitada no mercado. O que falar então da escolha de Dilma?
Pois é. Michel Temer representa a velha oligarquia política do País, do alto escalão do partido mais fisiológico de todos: o PMDB. Desde 2001 ele preside o partido que tem José Sarney como ícone. Se Serra foi de Índio, Dilma foi com todos os caciques da política nacional. O presidente Lula desqualificou a escolha de Serra, afirmando que não conhecia o escolhido. Melhor não ser muito conhecido, do que ser conhecido por inúmeros escândalos de corrupção. O castelo de Dilma é de areia...
A política é um meio podre em qualquer lugar do mundo; no Brasil, isso ocorre em grau ainda mais assustador. Quase sempre a escolha tem que ser por eliminação dos piores nomes. A escolha dos candidatos a vice nas chapas apenas reforça que o primeiro nome a ser rejeitado deve ser Dilma, o “poste” de Lula, aliada ao que há de pior nesta podridão toda.
fonte da imagem: Wikipedia
* Diretor do Instituto Liberal
02.07.2010
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