Quinta, 09 de Setembro de 2010
IL

Comentário do Dia » 12.07.10

MEC, ministério da enganação e da confusão

___ José L. Carvalho*

MEC vai recomendar o fim da reprovação

 

Com os dados do censo escolar de 2008 em mãos, quando 74 mil crianças de 6 anos foram reprovadas, e depois de realizar três audiências públicas - em Salvador, São Paulo e no Distrito Federal - o Conselho Nacional de Educação (CNE) se prepara para recomendar "fortemente" que todas as escolas públicas e privadas não reprovem mais alunos matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental. O Globo (23-05).

 

Essa notícia deixa claro que o objetivo do CNE é produzir boas estatísticas uma vez que o IDEB da escola é reduzido pela importância da taxa de reprovação. A eliminação da reprovação necessariamente aumenta o índice de cada escola. O IDEB de 2009 demonstrou uma melhora nos resultados da quarta série, atribuída às ações do MEC após os resultados do IDEB de 2007, mas, segundo alguns analistas, isso se deve muito mais ao fato do primeiro ciclo do ensino fundamental ser de responsabilidade do município, onde professores de escolas com menos recursos compensam essa deficiência com maior dedicação aos seus alunos. No Estado do Rio de Janeiro, uma escola na Penha Circular, sem auditório e quadra de esportes, mas com biblioteca, foi a que apresentou melhor resultado em todo Estado.

 

Entre os piores de 2007, metade não atingiu meta apesar de ajuda do MEC

 

Governo gastou R$ 400 milhões para melhorar nota de 1.822 municípios e de 28 mil escolas que tiveram desempenho abaixo do esperado. O Estado de S. Paulo (05-07).

 

Recursos financeiros são uma condição necessária, mas não suficiente, para melhora do ensino. É importante usar bem os parcos recursos e essa não é uma característica de governos, em particular do governo federal, que está bastante distante das críticas do cidadão munícipe que gera recursos e sustenta os governos pagando impostos.

 

Maria do Pilar Lacerda, secretária de Educação Básica do MEC conta, nessa mesma matéria, as dificuldades de dar apoio financeiro aos municípios com pior desempenho: Inicialmente, de cada 10 planos apresentados ao MEC, 7 eram devolvidos, por serem inadequados. Ora, esperar que a burocracia de um Município com escolas de baixa qualidade possa produzir um plano para sua melhora é ignorar a realidade. Aprendido o caminho das pedras, e há muitas empresas especializadas em ensinar esse caminho, as coisas melhoraram conforme atesta a Secretária: E, no final, apenas um em cada dez planos era devolvido. A matéria também nos informa que 280 mil professores já se inscreveram em cursos de formação de professores de português e matemática. Essa qualificação de professores não deveria ter sido a ação prioritária?

 

Quanto mais dependermos do governo para provermos escola para nossos filhos, mais sujeitos estaremos a estatísticas produzidas e, portanto enganadoras, assim como mais envoltos estaremos em diagnósticos confusos sobre as causas do mal desempenho de nosso sistema educacional. É preciso liberar o sistema educacional brasileiro da burocracia estatal que insiste na escola cidadã. Não há aprendizagem sem liberdade. Chega de Ministério da Enganação e da Confusão!

 

fonte das imagem: Wikipedia

 

* Vice-Presidente do Instituto Liberal

12.07.2010


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