Livro em Resenha » 23.10.09
Inimigos do progresso
___ Rodrigo Constantino
Livro: SUCATEANDO O PLANETA
Autor: Lee Ray e Lou Guzzo
“Racionalismo calmo e ambientalismo alarmista não podem coexistir.”
___ Dra. Dixy Lee Ray
Muitos movimentos “ambientalistas” se tornaram apenas veículos de alarmismo infundado. O pânico incutido nos leigos varia de tempos em tempos, passando pela chuva ácida, o buraco na camada de ozônio, o lixo atômico, o aquecimento global, mas todos parecem sempre condenar o progresso industrial e enaltecer uma suposta vida “natural”. As emoções costumam eliminar o uso da razão nesses debates, e o papel da mídia, em busca do sensacionalismo que rende leitores, tampouco ajuda. Para combater isso, a Dra. Dixy Lee Ray escreveu ‘Sucateando o Planeta’, um excelente antídoto contra o ecoterrorismo, por estimular um maior ceticismo crítico nas potenciais vítimas.
Parte da explicação para tanta oposição ao progresso industrial, evidente desde os ludistas, é a defesa do status quo, uma tentativa de evitar inovações que aposentam métodos obsoletos. Ou seja, barrar a “destruição criadora” pode ser um dos motivos por trás desses movimentos. Outra explicação estaria no medo do desconhecido, do que pode acontecer e que não necessariamente controlamos. A exploração desse medo natural pelos oportunistas permite a concentração de verbas para as causas ambientalistas, passando por cima de várias alternativas muitas vezes mais urgentes para o uso de recursos escassos. É preciso lembrar que os empregos dos ambientalistas profissionais dependem da continuação da crise ambiental, dos riscos iminentes de desgraças.
Transformações climáticas no passado
O livro é também um apelo por mais humildade, lembrando da enorme quantidade de erros do passado. A arrogância daqueles que acham que são capazes de prever com exatidão o futuro deve ser contrastada com os fracassos freqüentes dos cientistas, que previram inúmeras crises inexistentes. A arrogância humana também está por trás da visão de que a ação humana é relevante demais para os eventos naturais, que sempre ocorreram. A Dra. Ray diz: “Nós não conhecemos as causas das transformações climáticas ocorridas no passado geológico; podemos, porém, estar certos de que estas não se deveram à atividade industrial do homem”. No fundo, o objetivo parece ser atacar a industrialização, que tornou a vida humana bem mais confortável.
Os velhos “bons” tempos
Um mergulho no cotidiano de algumas gerações anteriores demonstra como a visão dos “bons velhos tempos” é falaciosa. Sobreviver era uma tarefa bem mais árdua, diante de uma natureza hostil. A conclusão da autora é direta: “A tecnologia, definida como aplicação do conhecimento científico à solução de problemas práticos, favoreceu a melhoria de vida daqueles que tiveram a felicidade de viver nesse mundo avançado, industrializado e altamente técnico conhecido como civilização ocidental”. Viver no mundo “natural” é algo muito difícil, como todos aqueles que não aproveitaram o progresso ocidental podem atestar. Até mesmo algo tão banal hoje, como ter alimentos frescos o ano todo, não era possível antes da introdução da refrigeração generalizada em trens, navios, armazéns e contêineres. As doenças que atualmente são facilmente tratadas eram causa de inúmeras mortes, principalmente de crianças. Essa visão nobre da vida “natural”, herança de Rousseau, é simplesmente falsa. Como a Dra. Ray coloca sobre os dias do passado não tão distante, “a verdade é que foram dias sujos, roídos pelas doenças, e malcheirosos”.
Um jardim bem cuidado
O livro segue tratando de outros temas em maiores detalhes, com inúmeros dados que refutam certas “verdades” alardeadas pelos ambientalistas. Por trás dessa postura radical, encontramos o romantismo tolo que busca um “retorno” ao Jardim do Éden, ou a simples defesa de interesses obscuros contra o progresso. A Dra. Ray tenta resumir algumas características presentes nesses que atacam o progresso: “O fio condutor dessa crença parece ser a idéia malthusiana da finitude dos recursos, dos limites a serem impostos ao crescimento, do controle populacional forçado, da descrença no ser humano, da crença na onipotência do Estado, de sua competência no controle das escolhas individuais e na rejeição da ciência, da tecnologia e da industrialização”. Como antídoto, ela prega mais ceticismo e razão, a demanda por evidências verdadeiras, e nos lembra que os alarmistas dependem da continuação dessa sensação de crise para manter seus empregos. “Um jardim bem cuidado é melhor do que um bosque negligenciado”, ela conclui, enaltecendo a capacidade humana de modificar a natureza em seu próprio benefício.
** Economista, articulista, lançou seu quinto livro: "Economia do indivíduo - o legado da Escola Austríaca"; outros livros: "Prisioneiros da Liberdade", "Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT", "Egoísmo Racional: O Individualismo de Ayn Rand", e "Uma Luz na Escuridão". É membro-fundador do Instituto Millenium e diretor do Instituto Liberal no RJ.
NOTA: Os subtítulos são acréscimo da editoria. A resenha foi publicada na ‘banco de idéias’ nº 44.

